És uma espécie de calma e serenidade que me acolhe, és um dia devagar, um caminho por descobrir, um copo meio cheio e meio vazio, um secreto adeus, um bilhete que se perde, és o esconder do tempo, o deixar presente, levo-te comigo, na verdade distante, no desejo apertado, na vontade divina, agarras-me com as palavras que nunca dizes, voas nas asas perdidas do meu sonho, és o vento que sopra sem memória e o suspiro que vive em segredo, és um poema deserto numa praia qualquer, és o meu beijo e a minha dor, és o alfa e o ómega, o princípio e o fim.
Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.
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