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Sobre mim

Sobre mim, não sei o que dizer, o que transmitir, nem sei se terei algo para deixar, sou assim, não sou aquele que se vê ao espelho, sou aquele que caminha contigo e que fala no escuro, sou aquele que te sente e que te traz no coração, sou aquele que conhece a tua casa e gosta dela, que olha para ti todas as manhãs, que fala contigo, que se esconde de ti, mesmo sabendo que de ti nada se pode esconder, sou aquele que lava a cara num olhar, num gesto, sou aquele que olha com respeito e admiração, sou aquele que atravessa, que se assusta e que chora, sou o do sorriso que contagia, sou aquele que caminha para trás quando assim é preciso, sou aquele que canta quando ninguém está a ouvir, sou aquele que diz bem quando quer dizer mal, sou aquele do silêncio e da sua virtude, não sou a verdade nem a mentira, nem tão pouco sei se existem, sou assim e no final, não sou mais nem menos do que tu. 

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Continuar

Na descoberta de uma nova palavra somos confrontados com tantas que não conhecemos que nos apraz dizer que dentro de nós existe sempre algo desconhecido, que neste dia, alguém irá aparecer, falar e dizer qualquer coisa que por nós nunca foi ouvido, a isto chamamos crescer, aprender e respeitar atitudes e comportamentos que desconhecidos podem pronunciar a melhor razão do saber.

Desafio

Desabafo na hora da partida, escolho o tema e ilustro-o num desafio inquietante, percorro a linha e a ideia de conseguir chegar lá, subo e desço as escadas, passo por janelas e portas, umas com e outras sem, ao longe a vista deslumbra um rio que bate no mar e que faz cruzar tormentas dignas de Adamastor, não existe, eu sei, mas é um Desafio, é a escolha do caminho por escolher, aquele que existe ainda sem existir, é a criação, a procura, o prenúncio, é a descoberta da capa pela contra capa, é usar uma perna antes da outra e interiorizar uma certeza, a de que conseguimos desafiar o próprio.    

Nunca

Quero ver as janelas abertas e as portas por abrir, quero saltar o pensamento que estou a ter, quero ver a luz na madrugada e o silêncio que daí advém, os dias cinzentos são os mais belos pois tenho a certeza que depois deles a luz reinará, hoje, caminho pelo chão que jamais pisei, faço deste trajecto o meu ser, tenho o poder dominante e a intemperança de todo o mal, é mais fácil desistir, é difícil não chorar, não quero ser o primeiro mas também não quero ser o último, não quero ser as lágrimas que vês. Amanheci e vesti-me de preto com um gesto cansado e um olhar pelo deserto, não quero ser o tempo que acabou, quero ser o rosto de um velho e a sua perseverança, quero ser o infinito tocável, quero ser o espaço vazio e as sombras de que falam, quero ser mais alto que o muro para espreitar o teu mundo, quero ser as palavras proibidas, traídas, que fogem e dizem....não me deixes nunca.