Enquanto jovens, digam o que disserem, consideramos a vida como sem fim e usamos o nosso tempo com prodigalidade. No entanto, quanto mais velhos ficamos, mais tempo desejamos. Durante a velhice, cada dia vivido desperta uma sensação semelhante ao de uma consciência delinquente a dirigir-se para o abismo, o próprio tempo, na sua juventude, dá passos bem mais lentos. Por conseguinte, o primeiro tempo de vida é não só o mais feliz, mas também o mais longo, e deixa muito mais lembranças, sendo que cada um poderia contar muito mais coisas sobre ele do que sobre o segundo tempo. Como na primavera ou verão do ano, também na da vida os dias acabam por tornar-se incomodamente longos. No outono ou inverno de ambos, tornam-se mais breves, porém mais serenos e constantes.
Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente.
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