Funde-se em nós um desejo superior, apertamos as mãos e deixamos que a história faça o resto, somos parte dela e ela faz parte de nós, sentimos o prazer de cada momento, cada sussurro, cada gesto, cada olhar, ficamos calados, expectantes, adormecidos nos nossos sonhos, deitados no nosso mundo, um mundo que achamos desigual, ao qual pertencemos e no qual jamais nos vemos, criamos a inquietude, somos propietários dos nossos erros racionais, fazemos deles o que queremos, fazemos da nossa vida o critério perfeito daquilo que somos nos outros, no fim, sinto-me teu e sinto-te minha.
Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.
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