Escrevo na folha de um livro que jamais será lido, escrevo palavras em branco que são em mim desconhecidas, escrevo na falésia do conhecimento e relato as experiências que vivo, as emoções que transmito e a verdade que enraízo, sou presente na maré alta de um mar que tranquiliza a rocha onde bate, sou presente na tempestade de ventos que me deixa sem respirar, escrevo por tudo isto e por muito mais, escrevo por nada saber, escrevo por não entender o tudo e não querer o nada, dou o olhar à batalha, enfrento o destino, a isso me obrigo, dou o meu ser à vida, porque da vida levamos o livro, o livro do pensamento, o livro branco que jamais será lido.
Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.
Comentários
Enviar um comentário