Estás presente num qualquer gesto meu, num qualquer olhar, numa qualquer palavra, vejo-te em qualquer direcção, sinto-te num qualquer momento, é como se o meu pensamento fizesse parte de ti, não sei como te pedir, como te perguntar, não sei o que te dizer, faço as coisas sem pensar, pergunto-te baixinho e dás-me a resposta que quero ouvir, escuto-te sem falar contigo, pressinto-te sem estares comigo, sei o teu mundo, a tua verdade e não disfarço, sei o aperto, o anseio e o desejo de estar só, fechar os olhos e encontrar-te.
Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.
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