Entrei em tua casa e vi-a despida de preconceito e mentira, nada existe senão o branco celeste que contrasta com uns vitrais iluminados pelo sol, os bancos estão presos ao passado e à memória de um tempo que jamais existirá, o som do silêncio acalma os gritos de um mundo cruel e pouco humano que me viu nascer e crescer, as tuas portas são dignas de uma entrada triunfal numa terra inóspita, o corredor principal é atravessado por vozes e pensamentos de um tempo em que tudo era diferente, o tua mesa enche-nos de paz e perseverança, de joelhos me confesso, de olhos fechados me penitencio e de coração aberto te agradeço o momento, a presença e o sorriso que encontro a cada dia, em cada lugar, vais comigo e comigo ficarás para sempre, porque em tua casa me revigoro.
Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.
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