Deixa-me ser teu, deixa-me entender-te, fazer parte de ti, do teu mundo, do teu feitiço, leva-me a passear pelo teu pensamento, pelas tuas palavras, leva-me pelo caminho mais justo e acredita na versão verdade, arranca de mim este princípio de tudo que não acaba mais, segura na minha mão e faz-me entender o que sou e o que deixei de ser, ocupa em mim o teu espaço e escuta as conversas do meu coração, será que os anjos sabem voar, será que o vento sabe soprar e o fogo sabe queimar, desperta em mim a ansiedade de ser eterno, entre chuvas de homens e tempestades de areias, neste deserto sem calor e oásis sem água, serás tu a condição, a regra, a decisão.
Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.
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