Olhar
os teus olhos, ouvir a tua voz sem perceber o que dizes, retrato sem rosto com
sentir de saudade, mistura de limão e canela, o teu encanto, sentido o amargo
da distância e o silêncio do desejo, entrar no pensamento de uma dança, sem
recusar ou recuar, estou aqui porque não posso estar em mais nenhum lugar. São
as palavras, os gestos, os olhares, as memórias de um presente que não se esquece
e de um passado que permanece, o valor da música e a força de expressão, não
encontro espaço ou porta que se abra, encontro a janela do tempo e o mesmo tempo
que demora em chegar, mais sabor, mais pronúncia, ser diferente na procura da
diferença dos outros, são páginas de um livro sem elenco, sempre e para sempre…
Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.
Comentários
Enviar um comentário