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Presságio

Sou eu mesmo, esse desenho feito de sombras que me perseguem e que desconheço as íntimas e verdadeiras provocações, não será por acaso que o lápis toma o caminho pelo desconhecido, e de papel em papel se projecta num presságio de silêncios mal amados e desconfiados pelo medo. Sou eu, entre ti e tu, sempre sobre uma linha que se confunde com um destino, sou o desenho e o que o desenho é de mim, que pode incluir tudo, até este tempo ou um outro qualquer, até uma saudade que não vou admitir ou um pensamento que não quero demonstrar. Porque não um novelo de cansaço, um corpo adormecido ou uma esperança esquecida. Sou eu, um exército de raros momentos que perfilam a devoção até chegar outra palavra, outro sujeito ou outro verbo, atá ao dia em que a dor deixa de doer e o desenho deixa de escrever. 

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Ser

Na verdade, o verdadeiro medo está presente em cada gesto egoísta, em cada afronta, em cada pensamento individual, em cada mentira...o verdadeiro medo é consumido, é vivido e bem tratado por nós... "O homem justo não é o que não comete nenhuma injustiça, mas aquele que, podendo ser injusto, não o quer ser." (Mandro)

O labirinto do tempo

Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.  

Missão

Nos momentos mais íntimos do nosso pensamento, percebemos que a verdadeira razão da nossa existência é a verdade do silêncio das nossas acções. "A nossa missão não é julgar o que é justo ou injusto: é apenas ajudar." (Teresa de Calcutá)