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Presságio

Sou eu mesmo, esse desenho feito de sombras que me perseguem e que desconheço as íntimas e verdadeiras provocações, não será por acaso que o lápis toma o caminho pelo desconhecido, e de papel em papel se projecta num presságio de silêncios mal amados e desconfiados pelo medo. Sou eu, entre ti e tu, sempre sobre uma linha que se confunde com um destino, sou o desenho e o que o desenho é de mim, que pode incluir tudo, até este tempo ou um outro qualquer, até uma saudade que não vou admitir ou um pensamento que não quero demonstrar. Porque não um novelo de cansaço, um corpo adormecido ou uma esperança esquecida. Sou eu, um exército de raros momentos que perfilam a devoção até chegar outra palavra, outro sujeito ou outro verbo, atá ao dia em que a dor deixa de doer e o desenho deixa de escrever. 

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Continuar

Na descoberta de uma nova palavra somos confrontados com tantas que não conhecemos que nos apraz dizer que dentro de nós existe sempre algo desconhecido, que neste dia, alguém irá aparecer, falar e dizer qualquer coisa que por nós nunca foi ouvido, a isto chamamos crescer, aprender e respeitar atitudes e comportamentos que desconhecidos podem pronunciar a melhor razão do saber.

Desafio

Desabafo na hora da partida, escolho o tema e ilustro-o num desafio inquietante, percorro a linha e a ideia de conseguir chegar lá, subo e desço as escadas, passo por janelas e portas, umas com e outras sem, ao longe a vista deslumbra um rio que bate no mar e que faz cruzar tormentas dignas de Adamastor, não existe, eu sei, mas é um Desafio, é a escolha do caminho por escolher, aquele que existe ainda sem existir, é a criação, a procura, o prenúncio, é a descoberta da capa pela contra capa, é usar uma perna antes da outra e interiorizar uma certeza, a de que conseguimos desafiar o próprio.    

Prometo

Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente.