Sou
eu mesmo, esse desenho feito de sombras que me perseguem e que desconheço as íntimas
e verdadeiras provocações, não será por acaso que o lápis toma o caminho pelo
desconhecido, e de papel em papel se projecta num presságio de silêncios mal
amados e desconfiados pelo medo. Sou eu, entre ti e tu, sempre sobre uma linha que
se confunde com um destino, sou o desenho e o que o desenho é de mim,
que pode incluir tudo, até este tempo ou um outro qualquer, até uma saudade que
não vou admitir ou um pensamento que não quero demonstrar. Porque não um novelo
de cansaço, um corpo adormecido ou uma esperança esquecida. Sou eu, um exército
de raros momentos que perfilam a devoção até chegar outra palavra, outro
sujeito ou outro verbo, atá ao dia em que a dor deixa de doer e o desenho deixa de escrever.
Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente.
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