Sou
eu mesmo, esse desenho feito de sombras que me perseguem e que desconheço as íntimas
e verdadeiras provocações, não será por acaso que o lápis toma o caminho pelo
desconhecido, e de papel em papel se projecta num presságio de silêncios mal
amados e desconfiados pelo medo. Sou eu, entre ti e tu, sempre sobre uma linha que
se confunde com um destino, sou o desenho e o que o desenho é de mim,
que pode incluir tudo, até este tempo ou um outro qualquer, até uma saudade que
não vou admitir ou um pensamento que não quero demonstrar. Porque não um novelo
de cansaço, um corpo adormecido ou uma esperança esquecida. Sou eu, um exército
de raros momentos que perfilam a devoção até chegar outra palavra, outro
sujeito ou outro verbo, atá ao dia em que a dor deixa de doer e o desenho deixa de escrever.
Na verdade, o verdadeiro medo está presente em cada gesto egoísta, em cada afronta, em cada pensamento individual, em cada mentira...o verdadeiro medo é consumido, é vivido e bem tratado por nós... "O homem justo não é o que não comete nenhuma injustiça, mas aquele que, podendo ser injusto, não o quer ser." (Mandro)
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