Sinto
a tua desarrumação, a angústia do teu silêncio, a verdade do teu olhar, o aceno
à janela, a casa fresca numa tarde de verão, o chocolate negro e amargo limão. Saúdo
as palavras que não entendo, o mergulho que ainda não tentei, vivo a canção que
ainda não sussurraste para mim, a magia de um gesto e o telefone que não toca,
a carta que ainda não me escreveste. Sinto a falta de te olhar um passo à
frente, da inocência da culpa e da verdade que escondes, sinto falta do lápis
com que desenhas o meu sabor, do sossego que preserva a alma, da escuridão que
relança a luz do próximo dia, do ego onde pernoitam os anjos e os demónios,
sinto falta do estrangeiro que trago dentro de mim, sinto falta do pedaço de
corpo que repousa no teu ombro e da forma carinhosa e poética onde desaguam os
nossos desejos, sinto falta do medo que se esconde atrás da porta. Não é
relevante saber o caminho, relevante é saber como caminhar, relevante é sairmos
do limbo, evitar o purgatório e merecer a eternidade…
"Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um chama-se ontem e o outro chama-se amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver." - Dalai Lama
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