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Sinto falta

Sinto falta do tu, sinto falta de te dizer, sinto falta de te ouvir e de te ler. Sinto falta do passado e do presente, sinto falta do abraço e do saber, sinto falta de te ver nascer, sinto falta de ouvir o teu silêncio. Sinto falta dos teus olhos e do teu aperto, sinto falta das palavras que nunca me disseste, sinto falta da tua justiça e da verdade que trazes no bolso. Sinto falta de caminhar ao teu lado e de ouvir o barulho da chuva, sinto falta de me habituar ao escuro e do teu cheiro. Sinto falta do nosso encontro enquanto sonho, sinto falta de não te esquecer, de me lembrar que te lembras de mim, sinto falta de atravessar a rua e olhar o outro lado do rio. Sinto falta da cadeira onde te sentavas, do teu lugar na mesa, sinto falta de te ver de olhos fechados, sinto falta de te viver, sinto falta da conquista e do juro qualquer coisa, sinto falta de não pertencer, de simplesmente ser. Sinto falta do verbo e da escola, sinto falta do caderno aos quadradinhos e da professora, sinto falta do recreio e das caricas, sinto falta de ficar contigo e de acordar tarde, sinto falta do labirinto e de encontrar a saída, sinto falta do acaso e de dar cambalhotas. Sinto falta das torradas e da cevada a altas horas da madrugada, sinto falta da gargalhada e de ver os teus olhos brilhar, sinto falta do lado esquerdo da cama e da luz acesa enquanto leio. Sinto falta do treino e da água, sinto falta dos ditados  e das composições, sinto falta do medo, do íntimo e da vida que não deve ser. Sinto falta do desarrumo dos desejos e das asas para poder subir à terra.

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Continuar

Na descoberta de uma nova palavra somos confrontados com tantas que não conhecemos que nos apraz dizer que dentro de nós existe sempre algo desconhecido, que neste dia, alguém irá aparecer, falar e dizer qualquer coisa que por nós nunca foi ouvido, a isto chamamos crescer, aprender e respeitar atitudes e comportamentos que desconhecidos podem pronunciar a melhor razão do saber.

Desafio

Desabafo na hora da partida, escolho o tema e ilustro-o num desafio inquietante, percorro a linha e a ideia de conseguir chegar lá, subo e desço as escadas, passo por janelas e portas, umas com e outras sem, ao longe a vista deslumbra um rio que bate no mar e que faz cruzar tormentas dignas de Adamastor, não existe, eu sei, mas é um Desafio, é a escolha do caminho por escolher, aquele que existe ainda sem existir, é a criação, a procura, o prenúncio, é a descoberta da capa pela contra capa, é usar uma perna antes da outra e interiorizar uma certeza, a de que conseguimos desafiar o próprio.    

Prometo

Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente.