Tenho
uma confissão a fazer-te, um segredo que quero que guardes, que quero deixar em
ti, não quero que me interpretes mal, não quero melindrar-te ou preocupar-te, é
simplesmente um segredo, daqueles que todos sabem mas que ninguém admite saber,
daqueles que só alguém muito especial sabe, daqueles que só depois nos
apercebemos que conhecemos tanta gente especial, mas ainda assim, vou contar-te
um segredo, lembra-te de não o partilhares, nem comigo. Senta-te aqui ao meu
lado, fecha os olhos e escuta, descobre o amor que pode vir deste silêncio que
estás a escutar, sente a força de um abraço que não estás a abraçar, percorre
esse caminho que está por descobrir, alimenta este momento na tua vida, abre o
coração e deixa-te conhecer, deixa-te apaixonar pela tua beleza, mostra ao
saber a ponte que atravessa os dois lados do teu sorriso e desvenda o segredo, o
tal segredo que todos querem saber, esse mesmo, o que acabei por não te dizer…
Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.
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