Avançar para o conteúdo principal

Quatro ventos

Perdi a voz na vida, uma razão de quatro ventos e dois gritos que não deixam sair as minhas asas, o caminho que não é o castigo, é a ilusão de um silêncio que acaricia o céu e esquece a dor. Invento horizontes e cubro o adormecer com um dia frio de vitórias e gostos desmedidos. Quero viver o inesperado e saber que o simples é vivido sem preconceitos, com gratidão e amizade, quero pintar as paredes que me rodeiam de cores vivas, gestos nobres e momentos únicos, quero os teus olhos, quero dizer mais e falar menos, quero esquecer a luz e viver na penumbra do diz-me tu, diz-me tu se a solidão faz pensar e ver melhor na escuridão, diz-me tu onde estão os meus passos, diz-me por onde vão, e as memórias, e as páginas em branco, quem as vai escrever, quem as vai ler. Só quero afastar a tristeza de um coração sem cor e sem melodia, quero dizê-lo baixinho, quero a tua poesia e a tua alegria, quero soletrar bem devagar as palavras que nunca te direi, quero soltar os mesmos quatro ventos e seguir-te ainda que caiam os céus.  

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Ser

Na verdade, o verdadeiro medo está presente em cada gesto egoísta, em cada afronta, em cada pensamento individual, em cada mentira...o verdadeiro medo é consumido, é vivido e bem tratado por nós... "O homem justo não é o que não comete nenhuma injustiça, mas aquele que, podendo ser injusto, não o quer ser." (Mandro)

O labirinto do tempo

Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.  

Prometo

Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente.