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Em mim

Quando veio, veio num olhar e num gesto vazio, veio sem pedir e sem levar o medo, falei-te ao ouvido e disse-te para não partires, nunca mais. Hoje, cada gesto, cada noite, cada luar és sem mim, és tudo, abraço-te como se fosses vida em mim, como se fosses tempo no tempo, um beijo que roubo no pensamento, um beijo perfeito e de perfume intenso, uma presença que voa em cada gesto, um olhar que não sei se conquistei. O momento, posso eu estar longe ou perto, aqui e agora no teu mundo, porque entras no meu sonho e contas histórias, vives memórias para no fim voltares a partir sem me levares, está frio e o teu beijo deixa-me ao alcance, quando te vais, ficas longe, e é longe viver em ti, fica longe esta melodia que escrevo para ti. Podes ser o deserto ou a penumbra, podes ser o silêncio das estrelas do meu quarto, podes ser tudo. Trazes a tempestade e os ventos de areia, ficas perto da margem, perto da distância, agarra-me, deixa-me em ti este sentir, deixa em mim o tanto que tens de ti ou leva contigo o que resta de mim...  

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Prometo

Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente. 

Ser

Na verdade, o verdadeiro medo está presente em cada gesto egoísta, em cada afronta, em cada pensamento individual, em cada mentira...o verdadeiro medo é consumido, é vivido e bem tratado por nós... "O homem justo não é o que não comete nenhuma injustiça, mas aquele que, podendo ser injusto, não o quer ser." (Mandro)

O labirinto do tempo

Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.