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Em mim

Quando veio, veio num olhar e num gesto vazio, veio sem pedir e sem levar o medo, falei-te ao ouvido e disse-te para não partires, nunca mais. Hoje, cada gesto, cada noite, cada luar és sem mim, és tudo, abraço-te como se fosses vida em mim, como se fosses tempo no tempo, um beijo que roubo no pensamento, um beijo perfeito e de perfume intenso, uma presença que voa em cada gesto, um olhar que não sei se conquistei. O momento, posso eu estar longe ou perto, aqui e agora no teu mundo, porque entras no meu sonho e contas histórias, vives memórias para no fim voltares a partir sem me levares, está frio e o teu beijo deixa-me ao alcance, quando te vais, ficas longe, e é longe viver em ti, fica longe esta melodia que escrevo para ti. Podes ser o deserto ou a penumbra, podes ser o silêncio das estrelas do meu quarto, podes ser tudo. Trazes a tempestade e os ventos de areia, ficas perto da margem, perto da distância, agarra-me, deixa-me em ti este sentir, deixa em mim o tanto que tens de ti ou leva contigo o que resta de mim...  

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Continuar

Na descoberta de uma nova palavra somos confrontados com tantas que não conhecemos que nos apraz dizer que dentro de nós existe sempre algo desconhecido, que neste dia, alguém irá aparecer, falar e dizer qualquer coisa que por nós nunca foi ouvido, a isto chamamos crescer, aprender e respeitar atitudes e comportamentos que desconhecidos podem pronunciar a melhor razão do saber.

Desafio

Desabafo na hora da partida, escolho o tema e ilustro-o num desafio inquietante, percorro a linha e a ideia de conseguir chegar lá, subo e desço as escadas, passo por janelas e portas, umas com e outras sem, ao longe a vista deslumbra um rio que bate no mar e que faz cruzar tormentas dignas de Adamastor, não existe, eu sei, mas é um Desafio, é a escolha do caminho por escolher, aquele que existe ainda sem existir, é a criação, a procura, o prenúncio, é a descoberta da capa pela contra capa, é usar uma perna antes da outra e interiorizar uma certeza, a de que conseguimos desafiar o próprio.    

Nunca

Quero ver as janelas abertas e as portas por abrir, quero saltar o pensamento que estou a ter, quero ver a luz na madrugada e o silêncio que daí advém, os dias cinzentos são os mais belos pois tenho a certeza que depois deles a luz reinará, hoje, caminho pelo chão que jamais pisei, faço deste trajecto o meu ser, tenho o poder dominante e a intemperança de todo o mal, é mais fácil desistir, é difícil não chorar, não quero ser o primeiro mas também não quero ser o último, não quero ser as lágrimas que vês. Amanheci e vesti-me de preto com um gesto cansado e um olhar pelo deserto, não quero ser o tempo que acabou, quero ser o rosto de um velho e a sua perseverança, quero ser o infinito tocável, quero ser o espaço vazio e as sombras de que falam, quero ser mais alto que o muro para espreitar o teu mundo, quero ser as palavras proibidas, traídas, que fogem e dizem....não me deixes nunca.