Quando
veio, veio num olhar e num gesto vazio, veio sem pedir e sem levar o medo,
falei-te ao ouvido e disse-te para não partires, nunca mais. Hoje, cada gesto,
cada noite, cada luar és sem mim, és tudo, abraço-te como se fosses vida em
mim, como se fosses tempo no tempo, um beijo que roubo no pensamento, um beijo
perfeito e de perfume intenso, uma presença que voa em cada gesto, um olhar que
não sei se conquistei. O momento, posso eu estar longe ou perto, aqui e agora
no teu mundo, porque entras no meu sonho e contas histórias, vives memórias
para no fim voltares a partir sem me levares, está frio e o teu beijo deixa-me
ao alcance, quando te vais, ficas longe, e é longe viver em ti, fica longe esta
melodia que escrevo para ti. Podes ser o deserto ou a penumbra, podes ser o
silêncio das estrelas do meu quarto, podes ser tudo. Trazes a tempestade e os
ventos de areia, ficas perto da margem, perto da distância, agarra-me, deixa-me
em ti este sentir, deixa em mim o tanto que tens de ti ou leva contigo o que resta
de mim...
Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente.
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