Sou eu, nesse copo
meio cheio para alguns e meio vazio para outros. Sou eu, esse desenho feito de
sombras que me persegue e que conheço de outras aflições. Sou eu, que realço
por palavras um prenúncio de silêncios mastigados de angústias e medos. Sou eu,
aquele que olha o retrato e que lembra memórias ao acaso. Sou eu, saciado sem o
gosto e sem o abraço de um beijo apertado. Sou eu, aquele que soma as vezes da indiferença,
aquele passageiro em trânsito, o ícaro da ousadia. Sou eu, que renovo a volúpia
e agito a insinuação. Sou eu, que adormeço à deriva e que sossego sem colo. Sou
eu, que admito a saudade mesmo de algo que não existe. Sou eu, que escondo o
desejo na alma despida. Sou eu, que me confesso calado perante o que é belo. Sou
eu, que não quer saber o motivo ou de quem é a culpa. Sou ele, confesso…
Na verdade, o verdadeiro medo está presente em cada gesto egoísta, em cada afronta, em cada pensamento individual, em cada mentira...o verdadeiro medo é consumido, é vivido e bem tratado por nós... "O homem justo não é o que não comete nenhuma injustiça, mas aquele que, podendo ser injusto, não o quer ser." (Mandro)
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