Sou eu, nesse copo
meio cheio para alguns e meio vazio para outros. Sou eu, esse desenho feito de
sombras que me persegue e que conheço de outras aflições. Sou eu, que realço
por palavras um prenúncio de silêncios mastigados de angústias e medos. Sou eu,
aquele que olha o retrato e que lembra memórias ao acaso. Sou eu, saciado sem o
gosto e sem o abraço de um beijo apertado. Sou eu, aquele que soma as vezes da indiferença,
aquele passageiro em trânsito, o ícaro da ousadia. Sou eu, que renovo a volúpia
e agito a insinuação. Sou eu, que adormeço à deriva e que sossego sem colo. Sou
eu, que admito a saudade mesmo de algo que não existe. Sou eu, que escondo o
desejo na alma despida. Sou eu, que me confesso calado perante o que é belo. Sou
eu, que não quer saber o motivo ou de quem é a culpa. Sou ele, confesso…
Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente.
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