Não
há como nos movermos sem ocuparmos o silêncio e acolhermos esta singularidade de
estarmos vivos. Podemos ser a ilha dos amores, podemos ser mais fortes perante
as adversidades, podemos vencer e orientar o desejo, podemos traçar tempestades
só para ter o prazer de as superar, podemos velejar pelos escritos, podemos
vestir a alma de branco e usar roupa escura, podemos ouvir o coração num
abraço, podemos alimentar os sentidos com o sentir, podemos ouvir a música já
esquecida, podemos agasalhar a alma com um admirar despido, podemos ser o
momento, o instante que dá sentido á
fala, podemos retrair o medo e esculpir no olhar do próximo esse amor que carregamos
dentro de nós, podemos...
Desabafo na hora da partida, escolho o tema e ilustro-o num desafio inquietante, percorro a linha e a ideia de conseguir chegar lá, subo e desço as escadas, passo por janelas e portas, umas com e outras sem, ao longe a vista deslumbra um rio que bate no mar e que faz cruzar tormentas dignas de Adamastor, não existe, eu sei, mas é um Desafio, é a escolha do caminho por escolher, aquele que existe ainda sem existir, é a criação, a procura, o prenúncio, é a descoberta da capa pela contra capa, é usar uma perna antes da outra e interiorizar uma certeza, a de que conseguimos desafiar o próprio.
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