Existe este texto a quatro mãos que ama sem cura e sofre sem remédio, existe
a confissão calada, a beleza do sentir e a serenidade do querer. Sou
confrontado com a fé e com um saber que está condenado nos esquissos da
inocência, desenho com lápis por afiar, melhor, por aguçar, um traço sem limite
e com limites a acompanhar. São mãos já consumidas, vividas, sujas de palavras
que as foram moldando, mãos enrugadas de infinita misericórdia, mãos que tocam
e expiam o resto do tempo, mãos que acenam e que encomendam a felicidade, mãos
que mostram o caminho e pelo caminho vão sentindo as feridas do desenho, são mãos
que apertam o desejo de amar e que por amor se conseguem
largar, são quatro, as mãos...
Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente.
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