Existe este texto a quatro mãos que ama sem cura e sofre sem remédio, existe
a confissão calada, a beleza do sentir e a serenidade do querer. Sou
confrontado com a fé e com um saber que está condenado nos esquissos da
inocência, desenho com lápis por afiar, melhor, por aguçar, um traço sem limite
e com limites a acompanhar. São mãos já consumidas, vividas, sujas de palavras
que as foram moldando, mãos enrugadas de infinita misericórdia, mãos que tocam
e expiam o resto do tempo, mãos que acenam e que encomendam a felicidade, mãos
que mostram o caminho e pelo caminho vão sentindo as feridas do desenho, são mãos
que apertam o desejo de amar e que por amor se conseguem
largar, são quatro, as mãos...
Desabafo na hora da partida, escolho o tema e ilustro-o num desafio inquietante, percorro a linha e a ideia de conseguir chegar lá, subo e desço as escadas, passo por janelas e portas, umas com e outras sem, ao longe a vista deslumbra um rio que bate no mar e que faz cruzar tormentas dignas de Adamastor, não existe, eu sei, mas é um Desafio, é a escolha do caminho por escolher, aquele que existe ainda sem existir, é a criação, a procura, o prenúncio, é a descoberta da capa pela contra capa, é usar uma perna antes da outra e interiorizar uma certeza, a de que conseguimos desafiar o próprio.
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