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Quatro mãos

Existe este texto a quatro mãos que ama sem cura e sofre sem remédio, existe a confissão calada, a beleza do sentir e a serenidade do querer. Sou confrontado com a fé e com um saber que está condenado nos esquissos da inocência, desenho com lápis por afiar, melhor, por aguçar, um traço sem limite e com limites a acompanhar. São mãos já consumidas, vividas, sujas de palavras que as foram moldando, mãos enrugadas de infinita misericórdia, mãos que tocam e expiam o resto do tempo, mãos que acenam e que encomendam a felicidade, mãos que mostram o caminho e pelo caminho vão sentindo as feridas do desenho, são mãos que apertam o desejo de amar e que por amor se conseguem largar, são quatro, as mãos...  
 

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Prometo

Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente. 

Ser

Na verdade, o verdadeiro medo está presente em cada gesto egoísta, em cada afronta, em cada pensamento individual, em cada mentira...o verdadeiro medo é consumido, é vivido e bem tratado por nós... "O homem justo não é o que não comete nenhuma injustiça, mas aquele que, podendo ser injusto, não o quer ser." (Mandro)

O labirinto do tempo

Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.