Existe este texto a quatro mãos que ama sem cura e sofre sem remédio, existe
a confissão calada, a beleza do sentir e a serenidade do querer. Sou
confrontado com a fé e com um saber que está condenado nos esquissos da
inocência, desenho com lápis por afiar, melhor, por aguçar, um traço sem limite
e com limites a acompanhar. São mãos já consumidas, vividas, sujas de palavras
que as foram moldando, mãos enrugadas de infinita misericórdia, mãos que tocam
e expiam o resto do tempo, mãos que acenam e que encomendam a felicidade, mãos
que mostram o caminho e pelo caminho vão sentindo as feridas do desenho, são mãos
que apertam o desejo de amar e que por amor se conseguem
largar, são quatro, as mãos...
Na verdade, o verdadeiro medo está presente em cada gesto egoísta, em cada afronta, em cada pensamento individual, em cada mentira...o verdadeiro medo é consumido, é vivido e bem tratado por nós... "O homem justo não é o que não comete nenhuma injustiça, mas aquele que, podendo ser injusto, não o quer ser." (Mandro)
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