Na procura da quietude. Porque a minha vontade tem o tamanho do meu mundo. Porque o meu alento determina a passagem pelo tempo. Sou próprio de lançar um grito dentro de mim, um grito que é capaz de arrancar saudade da verdade, que exclama palavras em todos os verbos, que trespassa a lua. Eu sou capaz de acontecer através desse grito, contra tudo que se depara perante mim, contra tudo e todos que se levantam no meu caminho, até contra mim próprio. Eu quero. Quero muito desviar este desânimo do meu texto, de vencê-lo mais uma vez e uma vez mais, sempre. Porque a minha vontade descobre, faz-me emanar, ressurgir, porque a minha força é inextinguível.
Desabafo na hora da partida, escolho o tema e ilustro-o num desafio inquietante, percorro a linha e a ideia de conseguir chegar lá, subo e desço as escadas, passo por janelas e portas, umas com e outras sem, ao longe a vista deslumbra um rio que bate no mar e que faz cruzar tormentas dignas de Adamastor, não existe, eu sei, mas é um Desafio, é a escolha do caminho por escolher, aquele que existe ainda sem existir, é a criação, a procura, o prenúncio, é a descoberta da capa pela contra capa, é usar uma perna antes da outra e interiorizar uma certeza, a de que conseguimos desafiar o próprio.
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