Hoje,
o tempo que parou e que ficou em ti, o tempo que não tive para agradecer, o que te perdi, os sorrisos que não te mostrei, as lágrimas que
não viste cair, a razão que sussurraste nesse tempo, o teu tempo. Mulher, Mãe, Avó
e Bisavó não por esta ordem mas por outra qualquer, ternura, vida, memória,
força incontornável, sempre de braços abertos, o teu nome, a tua luz,
a tua presença, a tua falta…, de madrugada, a cevada acompanhada com torradas de
meiguice e de palavras que nos alimentavam a alma e nos faziam crescer, sorrisos e apertos de mão inesquecíveis, olhos atentos à força do mar, os
mesmos olhos meigos e decididos, combatente de causas sempre justas, eterna
amiga e confidente de tantas almas, escudo e muralha de tanta gente,
foste o acontecer do caminho que traçaste, foste o sentido do amor que deste à vida, foste o que ficou em nós, e continuarás a ser...,sempre.
Desabafo na hora da partida, escolho o tema e ilustro-o num desafio inquietante, percorro a linha e a ideia de conseguir chegar lá, subo e desço as escadas, passo por janelas e portas, umas com e outras sem, ao longe a vista deslumbra um rio que bate no mar e que faz cruzar tormentas dignas de Adamastor, não existe, eu sei, mas é um Desafio, é a escolha do caminho por escolher, aquele que existe ainda sem existir, é a criação, a procura, o prenúncio, é a descoberta da capa pela contra capa, é usar uma perna antes da outra e interiorizar uma certeza, a de que conseguimos desafiar o próprio.
Comentários
Enviar um comentário