Não
é muito relevante pensar se é o corpo o caminho mais fácil das mãos quando na procura
do coração questionamos os sentidos. Não é muito perturbante saber se a paixão
é o acessório do olhar ou se é na dor que intentamos o prazer. Não é muito
inquietante saber de nós se o que sabemos de nós partir da sabedoria dos
outros. O nosso caminho tem sempre escolha, é essa escolha que define o conceito
de felicidade, nada é mais simples de tão enigmático.
Desabafo na hora da partida, escolho o tema e ilustro-o num desafio inquietante, percorro a linha e a ideia de conseguir chegar lá, subo e desço as escadas, passo por janelas e portas, umas com e outras sem, ao longe a vista deslumbra um rio que bate no mar e que faz cruzar tormentas dignas de Adamastor, não existe, eu sei, mas é um Desafio, é a escolha do caminho por escolher, aquele que existe ainda sem existir, é a criação, a procura, o prenúncio, é a descoberta da capa pela contra capa, é usar uma perna antes da outra e interiorizar uma certeza, a de que conseguimos desafiar o próprio.
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