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Tesouro

    Preenchemos os nossos dias de razões fúteis e palavras sem propósito, posições extremas e a maior parte das vezes mal entendidas, falamos alto e dizemos mal de tudo e de todos, ridicularizamos o que achamos incorreto e esquecemo-nos das nossas imperfeições e defeitos, somos humanos e gostamos de o ser, “fala por ti”, dizem os que me estão a ler, verdade, eu falo também por mim…, no entanto, existe... um tesouro que cada um de nós terá de encontrar, aquele que ouve o nosso silêncio, que não nos deixa partir sem o seu bater, que está apegado a nós, que destina a nossa vida e que, ainda assim, poucos são aqueles que seguem o caminho por ele traçado, o caminho da consciência e da felicidade, da generosidade e fraternidade, da ambição e da coragem devidamente medidas, da face e da outra face, do desejo e da verdade. Na maior parte das vezes, vamos ao encontro do mais fácil, e o mais fácil é olhar o mundo através, somente, dos nossos pequeninos olhos, e quão pequenos são os nossos olhos à vista de outros olhos tão pequenos como os nossos. O tesouro, o nosso coração, deixa de se ouvir, bate, bate e torna a bater e nós não o ouvimos, fala, fala e torna a falar e nós não o ouvimos, escuta o que outros dizem e nós não o ouvimos, ele entristece-se, angustia-se, atormenta-se, clama e nós não o ouvimos, com o tempo, esse coração, o nosso, fala cada vez mais baixo, mais baixo, já só sussurra, ouve cada vez menos e nós…nós só o vamos ouvir no dia em que ele decidir parar de falar, aí, tudo fará sentido.

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Continuar

Na descoberta de uma nova palavra somos confrontados com tantas que não conhecemos que nos apraz dizer que dentro de nós existe sempre algo desconhecido, que neste dia, alguém irá aparecer, falar e dizer qualquer coisa que por nós nunca foi ouvido, a isto chamamos crescer, aprender e respeitar atitudes e comportamentos que desconhecidos podem pronunciar a melhor razão do saber.

Desafio

Desabafo na hora da partida, escolho o tema e ilustro-o num desafio inquietante, percorro a linha e a ideia de conseguir chegar lá, subo e desço as escadas, passo por janelas e portas, umas com e outras sem, ao longe a vista deslumbra um rio que bate no mar e que faz cruzar tormentas dignas de Adamastor, não existe, eu sei, mas é um Desafio, é a escolha do caminho por escolher, aquele que existe ainda sem existir, é a criação, a procura, o prenúncio, é a descoberta da capa pela contra capa, é usar uma perna antes da outra e interiorizar uma certeza, a de que conseguimos desafiar o próprio.    

Prometo

Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente.