É Ela que nos proporciona saber o valor que a vida tem, são os os seus olhos, a sua boca, o seu nariz, a sua pele, é o seu cheiro, o seu corpo, a sua fragilidade, é por Ela que vivo, é por Ela que escrevo, é por Ela que sinto este inimaginável sentimento, este querer, esta vontade, pegar-te nos meus braços, sentir-te junto a mim, não pode, não é justo que exista esta vontade que não nos deixa respirar, que não nos deixa fechar os olhos, que não nos deixa pensar, simplesmente nos absorve, nos engole, nos leva com ela para um lugar a que os comuns chamam paraíso, um lugar que jamais esquecerei.
Desabafo na hora da partida, escolho o tema e ilustro-o num desafio inquietante, percorro a linha e a ideia de conseguir chegar lá, subo e desço as escadas, passo por janelas e portas, umas com e outras sem, ao longe a vista deslumbra um rio que bate no mar e que faz cruzar tormentas dignas de Adamastor, não existe, eu sei, mas é um Desafio, é a escolha do caminho por escolher, aquele que existe ainda sem existir, é a criação, a procura, o prenúncio, é a descoberta da capa pela contra capa, é usar uma perna antes da outra e interiorizar uma certeza, a de que conseguimos desafiar o próprio.
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