Nem palavras, nem ventos ou tempestades, canções por ouvir que são eco da nossa memória, sermos nós, simplesmente nós, lembro-me de ti, da tua verdade, lembro-me que tudo passa e que nada volta, sei que tudo é escrito no teu livro, sei que me vês, sei que me sentes, sei que me lês, sei porque sinto que jamais te esquecerei, estarás em primeiro, serás o alfa e o ômega, o princípio e o fim, vou ficar a esperar e vou lutar contra tudo e contra todos, vou escrever e vou conseguir vencer o teu caminho, sem ti as árvores não crescem, os anjos não cantam, contigo irei vencer a dor do silêncio, irei ser a memória das tuas mãos, irei ser a saudade que tiveres no dia que partir, serei a sombra que te acompanha e que te faz ver a estrada sem fim, leva-me contigo e deixa-me ser teu...
Desabafo na hora da partida, escolho o tema e ilustro-o num desafio inquietante, percorro a linha e a ideia de conseguir chegar lá, subo e desço as escadas, passo por janelas e portas, umas com e outras sem, ao longe a vista deslumbra um rio que bate no mar e que faz cruzar tormentas dignas de Adamastor, não existe, eu sei, mas é um Desafio, é a escolha do caminho por escolher, aquele que existe ainda sem existir, é a criação, a procura, o prenúncio, é a descoberta da capa pela contra capa, é usar uma perna antes da outra e interiorizar uma certeza, a de que conseguimos desafiar o próprio.
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