Uma nova era se avizinha, um novo tempo, um novo mundo, uma nova página, talvez até, o fim de um capítulo nunca acabado, quem sabe, nunca o saberemos, a verdade é que não estamos preparados para os tempos vizinhos, ainda não, ainda temos muito a aprender, a descobrir, a respeitar, a destruição é iminente, as nossas acções são, cada vez mais, desviantes, existe, por assim dizer, um retrocesso de pensamento, de atitudes, de verdades, somos pequenos, muito pequenos, diria que, invisíveis aos olhos da mãe natureza, somos os responsáveis pela sua revolta e nem por isso temos a dignidade de a respeitar, de lhe pedir desculpa, de mudar o nosso comportamento, um novo livro está a ser escrito, falta saber qual será o nosso papel, leitores ou protagonistas?
Desabafo na hora da partida, escolho o tema e ilustro-o num desafio inquietante, percorro a linha e a ideia de conseguir chegar lá, subo e desço as escadas, passo por janelas e portas, umas com e outras sem, ao longe a vista deslumbra um rio que bate no mar e que faz cruzar tormentas dignas de Adamastor, não existe, eu sei, mas é um Desafio, é a escolha do caminho por escolher, aquele que existe ainda sem existir, é a criação, a procura, o prenúncio, é a descoberta da capa pela contra capa, é usar uma perna antes da outra e interiorizar uma certeza, a de que conseguimos desafiar o próprio.
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