Não faço ideia, não sei, nem tenho em mente saber se um dia vou ser ou não uma pessoa diferente, simplesmente consigo olhar para mim mas não descubro quem sou e o que sinto, por vezes as nossas acções comportam-se não como nós queremos mas como sabemos que devem comportar-se, quero compreender o que sou e porque o sou, quero descobrir em mim a razão do meu comportamento, quero ser assim ou não, em ti vejo a força, a vontade, a verdade, em ti posso ver-me, sentir-me, posso consumir-me, por ti faço-o, por ti parto à descoberta de mim.
Desabafo na hora da partida, escolho o tema e ilustro-o num desafio inquietante, percorro a linha e a ideia de conseguir chegar lá, subo e desço as escadas, passo por janelas e portas, umas com e outras sem, ao longe a vista deslumbra um rio que bate no mar e que faz cruzar tormentas dignas de Adamastor, não existe, eu sei, mas é um Desafio, é a escolha do caminho por escolher, aquele que existe ainda sem existir, é a criação, a procura, o prenúncio, é a descoberta da capa pela contra capa, é usar uma perna antes da outra e interiorizar uma certeza, a de que conseguimos desafiar o próprio.
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