Aquela canção, tudo parece adormecido, porque estou a segredar, porque te abraço apertado, com a força de um beijo tiras-me o silêncio e o sorriso de criança, com a força do mar elevas o meu interior, és presente e futuro que há-de chegar como uma brisa de tarde de verão, és a palavra do sol, és a canção mais falada, entre as quatro paredes matas a sede do desespero, és a calma de um rio, a chama que arde e que se apaga a seguir, és aquela canção, és o ar que me fala e o poema perfeito, és a partida e a chegada, és o acordar mal dormido, és o beijo que fala, és a espera da saudade que vai embora quando choro mais por dentro que por fora, se algum dia me perdeste, sei que nunca me esqueceste, deixa-te ficar, podes ficar, fica porque és tu aquela canção.
Desabafo na hora da partida, escolho o tema e ilustro-o num desafio inquietante, percorro a linha e a ideia de conseguir chegar lá, subo e desço as escadas, passo por janelas e portas, umas com e outras sem, ao longe a vista deslumbra um rio que bate no mar e que faz cruzar tormentas dignas de Adamastor, não existe, eu sei, mas é um Desafio, é a escolha do caminho por escolher, aquele que existe ainda sem existir, é a criação, a procura, o prenúncio, é a descoberta da capa pela contra capa, é usar uma perna antes da outra e interiorizar uma certeza, a de que conseguimos desafiar o próprio.
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