Não tenho tempo, deixo voar os sonhos, deixo acalmar a tormenta, olho para ti, sento-me um pouco, fico no teu abrigo e durmo no teu abraço porque sei que estás aí. Enquanto anoitece, enquanto adormeço, tudo está só, simplesmente isso, tudo está só, olho para ti e sem batalhas e tristezas deixo a lua ultrapassar o meu destino, conto contigo porque para sempre estarás, sempre que me sentir só, para sempre estarás. Procuro por mim, sei onde estou, não sei para onde vou, quando for noite estarei com o vento e com o desenho do meu perfil no pensamento, no vazio, no vestígio da penumbra, as palavras proibidas no calor e no frio, corpo deitado, o silêncio do livro que li, o mundo despido, os sentidos guardados numa só verdade. És tudo para mim.
Desabafo na hora da partida, escolho o tema e ilustro-o num desafio inquietante, percorro a linha e a ideia de conseguir chegar lá, subo e desço as escadas, passo por janelas e portas, umas com e outras sem, ao longe a vista deslumbra um rio que bate no mar e que faz cruzar tormentas dignas de Adamastor, não existe, eu sei, mas é um Desafio, é a escolha do caminho por escolher, aquele que existe ainda sem existir, é a criação, a procura, o prenúncio, é a descoberta da capa pela contra capa, é usar uma perna antes da outra e interiorizar uma certeza, a de que conseguimos desafiar o próprio.
Comentários
Enviar um comentário