Perdido na penumbra de um dia que acaba, chamo por ti e revejo o teu olhar no caminho até casa, abraço o teu destino e levo-te comigo, sozinho com o peso da saudade, vejo olhares cheios de nada e pessoas loucas que nada ouvem e que não sabem o que dizer, logo que chego, memorizo o teu sorriso antes de o alcançar, dispo-me do dia e deixo-o sem resposta, abraço o destino como se nada mais existisse, não sei quanto tempo nem sei o que trago dentro do meu peito, não sei o que fui nem sei o que serei, mas sei o que és em mim, sei o que sinto quando distante te escrevo, quando espero o fim do dia com desejo, quando olho as mãos vazias e seguro o peso do teu mundo, sei de ti porque estás em mim.
Desabafo na hora da partida, escolho o tema e ilustro-o num desafio inquietante, percorro a linha e a ideia de conseguir chegar lá, subo e desço as escadas, passo por janelas e portas, umas com e outras sem, ao longe a vista deslumbra um rio que bate no mar e que faz cruzar tormentas dignas de Adamastor, não existe, eu sei, mas é um Desafio, é a escolha do caminho por escolher, aquele que existe ainda sem existir, é a criação, a procura, o prenúncio, é a descoberta da capa pela contra capa, é usar uma perna antes da outra e interiorizar uma certeza, a de que conseguimos desafiar o próprio.
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