Perdido na penumbra de um dia que acaba, chamo por ti e revejo o teu olhar no caminho até casa, abraço o teu destino e levo-te comigo, sozinho com o peso da saudade, vejo olhares cheios de nada e pessoas loucas que nada ouvem e que não sabem o que dizer, logo que chego, memorizo o teu sorriso antes de o alcançar, dispo-me do dia e deixo-o sem resposta, abraço o destino como se nada mais existisse, não sei quanto tempo nem sei o que trago dentro do meu peito, não sei o que fui nem sei o que serei, mas sei o que és em mim, sei o que sinto quando distante te escrevo, quando espero o fim do dia com desejo, quando olho as mãos vazias e seguro o peso do teu mundo, sei de ti porque estás em mim.
Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente.
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