Bato a porta e olho-te mais uma vez, és o riso e a lágrima, a expressão por controlar, és o mundo no meu pensamento, nunca me esqueci de ti, tudo muda, tudo passa e tudo tem o seu avesso, és a lua, o sol e o fim da tarde, és o tempo onde descanso, o intenso imaginário, o eterno onde adormeço. Podes vir como quiseres, podes ser o que entenderes, a qualquer hora e em qualquer lugar me encontras, por agora só te quero ouvir, podes contar a tua história, a tua pequena glória, podes ser a tua memória. Houve um tempo em que pensei que o mundo à minha volta ruía, um tempo que parece perto de tão longe que está, um tempo sem tempo para me libertar, um tempo que pode vir como um abraço, que pode vir sem ter motivo, um tempo que terá em mim o seu espaço, um tempo que terá de mim, todo o tempo do mundo.
Desabafo na hora da partida, escolho o tema e ilustro-o num desafio inquietante, percorro a linha e a ideia de conseguir chegar lá, subo e desço as escadas, passo por janelas e portas, umas com e outras sem, ao longe a vista deslumbra um rio que bate no mar e que faz cruzar tormentas dignas de Adamastor, não existe, eu sei, mas é um Desafio, é a escolha do caminho por escolher, aquele que existe ainda sem existir, é a criação, a procura, o prenúncio, é a descoberta da capa pela contra capa, é usar uma perna antes da outra e interiorizar uma certeza, a de que conseguimos desafiar o próprio.
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