Hoje foi o silêncio que tomou conta do destino, palavras que vieram de mãos vazias, saudade que veio e que ficou, dias banais que não perdem o medo e o segredo, o silêncio que dança num beijo apertado, o silêncio que esta noite se tornuou o dono do céu, que abraçou o tempo e a vida em gestos nunca iguais, que parou e viveu num olhar roubado sem licença, o silêncio que nunca se perde e que nunca se gasta, que se esconde em palavras de uma vida, que tropeça num sorriso, que de costas voltadas, grita por não ver a volta do mundo, o silêncio que se salva no mapa já traçado, que vê a luz adormecida, que serve de chave mesmo com a porta aberta, que é voz profeta em casa deserta, o silêncio, que nada me diz e que tudo me leva, o silêncio...
Desabafo na hora da partida, escolho o tema e ilustro-o num desafio inquietante, percorro a linha e a ideia de conseguir chegar lá, subo e desço as escadas, passo por janelas e portas, umas com e outras sem, ao longe a vista deslumbra um rio que bate no mar e que faz cruzar tormentas dignas de Adamastor, não existe, eu sei, mas é um Desafio, é a escolha do caminho por escolher, aquele que existe ainda sem existir, é a criação, a procura, o prenúncio, é a descoberta da capa pela contra capa, é usar uma perna antes da outra e interiorizar uma certeza, a de que conseguimos desafiar o próprio.
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