Hoje foi o silêncio que tomou conta do destino, palavras que vieram de mãos vazias, saudade que veio e que ficou, dias banais que não perdem o medo e o segredo, o silêncio que dança num beijo apertado, o silêncio que esta noite se tornuou o dono do céu, que abraçou o tempo e a vida em gestos nunca iguais, que parou e viveu num olhar roubado sem licença, o silêncio que nunca se perde e que nunca se gasta, que se esconde em palavras de uma vida, que tropeça num sorriso, que de costas voltadas, grita por não ver a volta do mundo, o silêncio que se salva no mapa já traçado, que vê a luz adormecida, que serve de chave mesmo com a porta aberta, que é voz profeta em casa deserta, o silêncio, que nada me diz e que tudo me leva, o silêncio...
Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente.
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