Depois, há aqueles que pensam em si mais do que convém, aqueles que pensam que fazem sempre um trabalho melhor, aqueles que não sabem estar no seu lugar, aqueles que sonham com a cadeira de juiz, aqueles cuja língua é tão fraca que só profere palavras criticas, aqueles que fazem habilidosos interrogatórios para extorquir expressões e opiniões e depois lancá-las como sementes de separação, aqueles que repetem palavras como sendo originais, aqueles que guardam o desagradável com o intuito de envenenar os outros, aqueles que olham para o seu espelho e não encontram defeitos, aqueles que usam a mentira como única forma de dizer a verdade, e que, ainda assim conseguem ser felizes nesse lugar tão fundo onde sobrevivem, o verdadeiro valor moral é aquele que não procura sobressair pensando mal e falando mal dos outros, desvalorizando-os, é aquele que é tolerante e humilde, é aquele que se ralciona tão intimamente com a verdade que coisa alguma, nem mesmo o martírio e a morte, o poderiam separar dela.
Desabafo na hora da partida, escolho o tema e ilustro-o num desafio inquietante, percorro a linha e a ideia de conseguir chegar lá, subo e desço as escadas, passo por janelas e portas, umas com e outras sem, ao longe a vista deslumbra um rio que bate no mar e que faz cruzar tormentas dignas de Adamastor, não existe, eu sei, mas é um Desafio, é a escolha do caminho por escolher, aquele que existe ainda sem existir, é a criação, a procura, o prenúncio, é a descoberta da capa pela contra capa, é usar uma perna antes da outra e interiorizar uma certeza, a de que conseguimos desafiar o próprio.
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