Olhar para ti, debruçar-me no teu berço, rever-me nos teus olhos que em silêncio me dizem o que quero ouvir, ver nas tuas mãos o encontro de um gesto, tocar-te e sentir a pele macia e livre de preconceito, a emoção do teu destino traçado por linhas curvas e lugares desiguais, ver em ti a minha alma transfigurada, sentir o respeito do teu sorriso e a verdade do teu choro, olhar para ti no desafio das minhas forças, encontrar na tua consciência a memória de um futuro que jamais viverei, pegar-te ao colo e sentir o peso do amor, abraçar-te e sentir a inocência do teu ser, caminhar no propósito de te encontrar, sonhar com a ambição de nunca te perder, ir e voltar sem nunca te deixar.
Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente.
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