Olhar para ti, debruçar-me no teu berço, rever-me nos teus olhos que em silêncio me dizem o que quero ouvir, ver nas tuas mãos o encontro de um gesto, tocar-te e sentir a pele macia e livre de preconceito, a emoção do teu destino traçado por linhas curvas e lugares desiguais, ver em ti a minha alma transfigurada, sentir o respeito do teu sorriso e a verdade do teu choro, olhar para ti no desafio das minhas forças, encontrar na tua consciência a memória de um futuro que jamais viverei, pegar-te ao colo e sentir o peso do amor, abraçar-te e sentir a inocência do teu ser, caminhar no propósito de te encontrar, sonhar com a ambição de nunca te perder, ir e voltar sem nunca te deixar.
Desabafo na hora da partida, escolho o tema e ilustro-o num desafio inquietante, percorro a linha e a ideia de conseguir chegar lá, subo e desço as escadas, passo por janelas e portas, umas com e outras sem, ao longe a vista deslumbra um rio que bate no mar e que faz cruzar tormentas dignas de Adamastor, não existe, eu sei, mas é um Desafio, é a escolha do caminho por escolher, aquele que existe ainda sem existir, é a criação, a procura, o prenúncio, é a descoberta da capa pela contra capa, é usar uma perna antes da outra e interiorizar uma certeza, a de que conseguimos desafiar o próprio.
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