Olho o passado e sem o ver procuro, o dia em que o tempo não volta atrás, estou só, isolado entre o presente e esse momento, peço por ti, chamo por ti, peço mais um dia, leva-me contigo, se nesta noite falarmos, nada percebemos do que dizemos porque assim será melhor, e a seguir jogámos a palavra à sorte, e nada vamos dizer, porque o que não se diz é muito mais forte, e a palavra, leva-a contigo porque atrás dela irei, para quê dizer se já o sabemos, para quê ouvir se já o escutámos, desta vez, se alguém perder que seja eu....que seja eu.
Desabafo na hora da partida, escolho o tema e ilustro-o num desafio inquietante, percorro a linha e a ideia de conseguir chegar lá, subo e desço as escadas, passo por janelas e portas, umas com e outras sem, ao longe a vista deslumbra um rio que bate no mar e que faz cruzar tormentas dignas de Adamastor, não existe, eu sei, mas é um Desafio, é a escolha do caminho por escolher, aquele que existe ainda sem existir, é a criação, a procura, o prenúncio, é a descoberta da capa pela contra capa, é usar uma perna antes da outra e interiorizar uma certeza, a de que conseguimos desafiar o próprio.
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