Podes levar o sol e o mar, até podes levar a luz do meu olhar, leva o amanhecer, leva a cor, leva o entendimento, leva o sorriso e o meu destino, leva o tempo, deixa-me a penumbra, o anoitecer, deixa-me o sonho, deixa-me o pensar e o acreditrar, deixa-me o sentido, deixa-me ficar, quero acreditar, se espero não o quero dizer, se tentei não o quero fazer, sei o que és mas não o vais saber, preciso de ti, preciso que me devolvas o que me levaste, hoje sei quantas páginas mudei, sei que longe andei, sei que perdido me achei, sei que, enquanto o rio correr para o mar, enquanto o mundo não parar e o meu coração bater, vou gostar de ti.
Desabafo na hora da partida, escolho o tema e ilustro-o num desafio inquietante, percorro a linha e a ideia de conseguir chegar lá, subo e desço as escadas, passo por janelas e portas, umas com e outras sem, ao longe a vista deslumbra um rio que bate no mar e que faz cruzar tormentas dignas de Adamastor, não existe, eu sei, mas é um Desafio, é a escolha do caminho por escolher, aquele que existe ainda sem existir, é a criação, a procura, o prenúncio, é a descoberta da capa pela contra capa, é usar uma perna antes da outra e interiorizar uma certeza, a de que conseguimos desafiar o próprio.
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