Preferias que escrevesse com outras palavras, que pintasse o mundo com outras cores, que te dissesse que o mundo é bom, que roubasse a estrela que ilumina o teu olhar, preferias que te embalasse nas ondas do mar, que te levasse à lua para a espreitar, até podia fazer isso e muito mais, dar-te mais do que imaginas, não sei se me estás a acompanhar, sem pressa e tranquilo, parti e ando às voltas a esquecer quem sou, vejo a noite até ao sol chegar, ele que sempre me encontrou, só tu me fazes correr, ficar e partir para o desconhecido, não sei viver sem ter de viver, não se perde o que não se quer ter, sei do teu vento, sei do teu lamento, para sempre hei-de amar, por quem esperas contando o tempo a cada instante, por mim e por ti serei e ficarei, para sempre, eternamente.
Desabafo na hora da partida, escolho o tema e ilustro-o num desafio inquietante, percorro a linha e a ideia de conseguir chegar lá, subo e desço as escadas, passo por janelas e portas, umas com e outras sem, ao longe a vista deslumbra um rio que bate no mar e que faz cruzar tormentas dignas de Adamastor, não existe, eu sei, mas é um Desafio, é a escolha do caminho por escolher, aquele que existe ainda sem existir, é a criação, a procura, o prenúncio, é a descoberta da capa pela contra capa, é usar uma perna antes da outra e interiorizar uma certeza, a de que conseguimos desafiar o próprio.
Comentários
Enviar um comentário