Adormeço enquanto estás, deito-me na tua presença e sinto o calor do teu lugar enquanto me aconchego nos teus braços, cruzo as pernas nas tuas e ignoro os olhos fechados e a respiração que bate nos meus olhos, chego mais perto, sinto mais perto, como se a minha alma se unisse ao teu corpo desnudo de preconceito e de desejo, como se entrasse em ti e de ti soubesse o que ainda não descobriste, o que ainda não sabes, sob a forma da minha sombra, que me vela o sono, que me leva à intemporalidade e para não me deixar cair na tentação, separo, delicadamente, o meu corpo da minha alma, então fico com os olhos da alma e vejo o corpo entrar em ti, no teu destino, no teu ser, a união acontece e revela-se o olhar cúmplice, meigo e destemido, acontece o gesto, o toque, o sentir da pele aveludada, os nossos corpos numa única sensação desarrumam o desejo e enfrentam a dança do crime perfeito, sitiados os sentidos, tudo se torna infinito, fora de mim vejo o meu Eu e o teu Tu, é o nosso corpo que vejo daqui, não dois, simplesmente um, o nosso, como no génesis, vagueando no éden ou em qualquer outro lugar, onde o vento distingue quem anda ao vento, onde as cores e cheiros se misturam, onde aos poucos nos vamos dando forma para de novo partirmos mas sem nunca saber para onde, porque onde quer que estejas, estás comigo, é dentro deste silêncio que chegamos a tempo ou fora de tempo, por fim acordo deste doce e único sentir e fico sem saber quem fala, o corpo ou a alma.
"Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um chama-se ontem e o outro chama-se amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver." - Dalai Lama
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