Esse grito que nos sussurra o corpo, o que agasalhamos com roupa quando alguém nos despe com o olhar, essa indisfarçável intuição que na impetuosidade faz do silêncio o elegante folhear do destino. Essa alma que solta sempre a mesma risada, que encurrala o papel entre o lápis e o saber, que é capaz de vir até junto de nós, capaz de levitar o sonho da escrita e a verdade da consequência, a mesma alma que procura na viagem o vestido certo para cobrir a lua de desejo, a mesma alma que tempera o mar com areia salgada, a alma que serve o fim da vida eterna, a mesma alma que pede desculpa sem nunca se desculpar, a alma que beija o desassossego dentro de um único e perfeito olhar, a alma que se recolhe e se perde na perfeição inútil, essa mesma...a alma.
Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente.
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