Leio-te porque sei que estás aqui comigo, sei que esperas, nesse ponto de partida, no antes de tudo, no antes da vida, do som e das palavras, para vires ao meu abraço. Leio-te nos olhos e no perfeito olhar, partindo da provocação que só o mistério da alma pode desvendar, perdi-me a considerar o antes, esse lugar onde já estive, onde já fui, mas do qual não tenho lembrança, se bem que lembrança não é a palavra certa, porque esse é, certamente, um lugar que tenho intrínseco em mim mas o qual não alcanço, e é nesse lugar que quero estar, naquele que posso, talvez, um dia encontrar.
Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.
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