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Amargo


Instiga-me este amargo que se abraçou em mim, inquieta-me não tecer as palavras que possam reflectir esta urgência premente que ainda sinto e que estreita em mim a veemência da tua presença. Atento no teu silêncio, permaneço na verdade deste sentido. O que foi, o que ainda está por dizer, o gesto que ainda não vivi, o gesto que apenas sonhei, esse desejo que permanece e fica na consciência de um pensamento, na verdade de uma lua que nunca mais se deixa cair, que é sombra, mas que persiste camuflada na distância e no caminho que não quero impor, antes viver.
É o que é, a simplicidade do carinho, do olhar, do ser, do estar, do realizar, do persistir, do perder, do voltar a ter, do agir, do querer transformar, do afecto, e de tantos outros prenúncios sem fim de movimento e de tempo, hoje, aqui e agora, nesse abraço que ficou por enlaçar e no beijo doce que entregas à minha face, nessa demora que é tão própria de ti, fica a banda desenhada, fica a fantasia demorada e a escultura inacabada. 
Sem pressas, sem imposições, apenas para ser revelação do todo e dessa realidade na qual embatemos, sem imaginar, sem pedir, sem desculpas, apenas um novo dia, apenas um novo mundo, não te demores!
 

 

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O labirinto do tempo

Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.  

Prometo

Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente. 

Ser

Na verdade, o verdadeiro medo está presente em cada gesto egoísta, em cada afronta, em cada pensamento individual, em cada mentira...o verdadeiro medo é consumido, é vivido e bem tratado por nós... "O homem justo não é o que não comete nenhuma injustiça, mas aquele que, podendo ser injusto, não o quer ser." (Mandro)