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Momento

Esse momento que perdura numa lágrima que não cai, numa voz que não é a própria, recortado no senso que nada tem de comum, invulgar, rigoroso e de olhar feito espelho, momento de sons e sílabas nunca compreendidos, os que com ele se envolvem, devolvem sem esforço a força de uma vida que se forma no dia-a-dia, que parte e que fica, para de novo partir e para de novo ficar. Assim amanhece a rotina que não é a rotina que nunca foi e que jamais o será, porque a palavra não cala e a pintura não apaga, o que posso eu desenhar não desenhando, o que posso eu escrever não escrevendo, é este o momento, o momento do pedido, escrevam por mim...

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O labirinto do tempo

Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.  

Prometo

Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente. 

Ser

Na verdade, o verdadeiro medo está presente em cada gesto egoísta, em cada afronta, em cada pensamento individual, em cada mentira...o verdadeiro medo é consumido, é vivido e bem tratado por nós... "O homem justo não é o que não comete nenhuma injustiça, mas aquele que, podendo ser injusto, não o quer ser." (Mandro)