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Página


Caminho pelo livro que acabo de desenhar, não sei de quantas folhas é feito porque todos os dias viro uma e começo outra, sigo a intemporalidade do tempo, essa página que separa o ontem e o que sou hoje. O momento em que começo a linha que tudo transmuta, os dias, as horas e os segundos, este sentir que é eterno, intenso, repleto de mim e de ti, tudo numa simples linha, a linha que imagino como caminho e que acalenta a alma, perdi algumas palavras por esse caminho, mas quem hoje não caminha comigo, não lê metade de mim, porque hoje eu sou isto e muito mais, não estou sozinho no meu silêncio, e quem caminha ao meu lado acalma-me a alma. Quem está, encontra-me, quem esteve, ficou parado e não quis vir, quem veio, escuta os sussurros das minhas palavras, quem virá, a próxima página o dirá. Da natureza de uns e de outros se tece o argumento deste livro. Em uns e outros, a arte que se escreve e que se expõe, alada e complexa. Assim vão as páginas da vida.

 

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Na descoberta de uma nova palavra somos confrontados com tantas que não conhecemos que nos apraz dizer que dentro de nós existe sempre algo desconhecido, que neste dia, alguém irá aparecer, falar e dizer qualquer coisa que por nós nunca foi ouvido, a isto chamamos crescer, aprender e respeitar atitudes e comportamentos que desconhecidos podem pronunciar a melhor razão do saber.

Desafio

Desabafo na hora da partida, escolho o tema e ilustro-o num desafio inquietante, percorro a linha e a ideia de conseguir chegar lá, subo e desço as escadas, passo por janelas e portas, umas com e outras sem, ao longe a vista deslumbra um rio que bate no mar e que faz cruzar tormentas dignas de Adamastor, não existe, eu sei, mas é um Desafio, é a escolha do caminho por escolher, aquele que existe ainda sem existir, é a criação, a procura, o prenúncio, é a descoberta da capa pela contra capa, é usar uma perna antes da outra e interiorizar uma certeza, a de que conseguimos desafiar o próprio.    

Nunca

Quero ver as janelas abertas e as portas por abrir, quero saltar o pensamento que estou a ter, quero ver a luz na madrugada e o silêncio que daí advém, os dias cinzentos são os mais belos pois tenho a certeza que depois deles a luz reinará, hoje, caminho pelo chão que jamais pisei, faço deste trajecto o meu ser, tenho o poder dominante e a intemperança de todo o mal, é mais fácil desistir, é difícil não chorar, não quero ser o primeiro mas também não quero ser o último, não quero ser as lágrimas que vês. Amanheci e vesti-me de preto com um gesto cansado e um olhar pelo deserto, não quero ser o tempo que acabou, quero ser o rosto de um velho e a sua perseverança, quero ser o infinito tocável, quero ser o espaço vazio e as sombras de que falam, quero ser mais alto que o muro para espreitar o teu mundo, quero ser as palavras proibidas, traídas, que fogem e dizem....não me deixes nunca.