Caminho pelo livro que acabo de desenhar,
não sei de quantas folhas é feito porque todos os dias viro uma e começo outra,
sigo a intemporalidade do tempo, essa página que separa o ontem e o que sou
hoje. O momento em que começo a linha que tudo transmuta, os dias, as horas e
os segundos, este sentir que é eterno, intenso, repleto de mim e de ti, tudo
numa simples linha, a linha que imagino como caminho e que acalenta a alma,
perdi algumas palavras por esse caminho, mas quem hoje não caminha comigo, não
lê metade de mim, porque hoje eu sou isto e muito mais, não estou sozinho no
meu silêncio, e quem caminha ao meu lado acalma-me a alma. Quem está,
encontra-me, quem esteve, ficou parado e não quis vir, quem veio, escuta os
sussurros das minhas palavras, quem virá, a próxima página o dirá. Da natureza
de uns e de outros se tece o argumento deste livro. Em uns e outros, a arte
que se escreve e que se expõe, alada e complexa. Assim vão as páginas da vida.
Na verdade, o verdadeiro medo está presente em cada gesto egoísta, em cada afronta, em cada pensamento individual, em cada mentira...o verdadeiro medo é consumido, é vivido e bem tratado por nós... "O homem justo não é o que não comete nenhuma injustiça, mas aquele que, podendo ser injusto, não o quer ser." (Mandro)
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