Caminho pelo livro que acabo de desenhar,
não sei de quantas folhas é feito porque todos os dias viro uma e começo outra,
sigo a intemporalidade do tempo, essa página que separa o ontem e o que sou
hoje. O momento em que começo a linha que tudo transmuta, os dias, as horas e
os segundos, este sentir que é eterno, intenso, repleto de mim e de ti, tudo
numa simples linha, a linha que imagino como caminho e que acalenta a alma,
perdi algumas palavras por esse caminho, mas quem hoje não caminha comigo, não
lê metade de mim, porque hoje eu sou isto e muito mais, não estou sozinho no
meu silêncio, e quem caminha ao meu lado acalma-me a alma. Quem está,
encontra-me, quem esteve, ficou parado e não quis vir, quem veio, escuta os
sussurros das minhas palavras, quem virá, a próxima página o dirá. Da natureza
de uns e de outros se tece o argumento deste livro. Em uns e outros, a arte
que se escreve e que se expõe, alada e complexa. Assim vão as páginas da vida.
Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente.
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