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Do cosmos ao sonho

Nesta manifestação de infinitos, percorri um caminho curto entre o cosmos e o sonho adormecido, de todo este movimento e num único pedido, parei o tempo e escrevi um texto em que nenhum dos dois quer saber de onde veio, de que é feito ou de quem é a culpa. Apresentam-se, ausentam-se, afagam, saúdam, ignoram ainda, concordam e discordam e no palco do extraordinário, sofrem, sofrem de inquietude porque nenhum dos dois imagina viver um dia de cada vez à espera de saber o que existe para lá deste silêncio. Por isto, no fim da cada linha, recolhem a casa e, nos braços desse querer, entregam-se à dança, desarrumam os desejos e aguçam o lápis, rodopiam encantos, confessam almas e sombras, alimentam sentidos e tempestades, imaginam a arte e o verso, porque a vida, esta vida, não lhes basta. 

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Prometo

Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente. 

Ser

Na verdade, o verdadeiro medo está presente em cada gesto egoísta, em cada afronta, em cada pensamento individual, em cada mentira...o verdadeiro medo é consumido, é vivido e bem tratado por nós... "O homem justo não é o que não comete nenhuma injustiça, mas aquele que, podendo ser injusto, não o quer ser." (Mandro)

O labirinto do tempo

Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.