Nesta manifestação de infinitos, percorri um caminho curto entre o cosmos e o sonho adormecido, de todo este movimento e num único pedido, parei o tempo e escrevi um texto em que nenhum dos dois quer saber de onde veio, de que é feito ou de quem é a culpa. Apresentam-se, ausentam-se, afagam, saúdam, ignoram ainda, concordam e discordam e no palco do extraordinário, sofrem, sofrem de inquietude porque nenhum dos dois imagina viver um dia de cada vez à espera de saber o que existe para lá deste silêncio. Por isto, no fim da cada linha, recolhem a casa e, nos braços desse querer, entregam-se à dança, desarrumam os desejos e aguçam o lápis, rodopiam encantos, confessam almas e sombras, alimentam sentidos e tempestades, imaginam a arte e o verso, porque a vida, esta vida, não lhes basta.
Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente.
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