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Olhares

O olhar que pode intimidar, que pode fazer viver, esse olhar que descobre o adormecido, que vive o desconhecido, o olhar sincero, feliz e único que se sente no coração, o olhar que une duas almas, que olha de olhos fechados, o olhar que conhece as costas, que passa pelas palavras, que lê nas entrelinhas, o olhar que comove, que não adultera, que não mente, o olhar da beleza e da metáfora, o olhar que descobre o sol no caminho de uma folha caída, o olhar amadurecido e de paladar acanelado, o olhar escuro da noite munido e perfilado de anúncios presunçosos, o olhar inquieto da intriga, o olhar que nunca foi visto, o olhar sofista, o olhar da arte e do domingo em descanso, o olhar nómada e fascinante, a força e a cor de um olhar meigo e doce, a alma de um olhar que se perde num vestido curto ou num sabor salgado de uma qualquer lágrima de saudade, que dizer do olhar, desse olhar, do olhar em silêncio, aquele que perturba e que tudo significa, aquele que jamais se esquece, aquele que substituí a escrita e a fala, aquele que resume tudo e que em tudo se resume. 
 

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Continuar

Na descoberta de uma nova palavra somos confrontados com tantas que não conhecemos que nos apraz dizer que dentro de nós existe sempre algo desconhecido, que neste dia, alguém irá aparecer, falar e dizer qualquer coisa que por nós nunca foi ouvido, a isto chamamos crescer, aprender e respeitar atitudes e comportamentos que desconhecidos podem pronunciar a melhor razão do saber.

Desafio

Desabafo na hora da partida, escolho o tema e ilustro-o num desafio inquietante, percorro a linha e a ideia de conseguir chegar lá, subo e desço as escadas, passo por janelas e portas, umas com e outras sem, ao longe a vista deslumbra um rio que bate no mar e que faz cruzar tormentas dignas de Adamastor, não existe, eu sei, mas é um Desafio, é a escolha do caminho por escolher, aquele que existe ainda sem existir, é a criação, a procura, o prenúncio, é a descoberta da capa pela contra capa, é usar uma perna antes da outra e interiorizar uma certeza, a de que conseguimos desafiar o próprio.    

Nunca

Quero ver as janelas abertas e as portas por abrir, quero saltar o pensamento que estou a ter, quero ver a luz na madrugada e o silêncio que daí advém, os dias cinzentos são os mais belos pois tenho a certeza que depois deles a luz reinará, hoje, caminho pelo chão que jamais pisei, faço deste trajecto o meu ser, tenho o poder dominante e a intemperança de todo o mal, é mais fácil desistir, é difícil não chorar, não quero ser o primeiro mas também não quero ser o último, não quero ser as lágrimas que vês. Amanheci e vesti-me de preto com um gesto cansado e um olhar pelo deserto, não quero ser o tempo que acabou, quero ser o rosto de um velho e a sua perseverança, quero ser o infinito tocável, quero ser o espaço vazio e as sombras de que falam, quero ser mais alto que o muro para espreitar o teu mundo, quero ser as palavras proibidas, traídas, que fogem e dizem....não me deixes nunca.