O olhar que pode
intimidar, que pode fazer viver, esse olhar que descobre o adormecido, que vive
o desconhecido, o olhar sincero, feliz e único que se sente no coração, o olhar
que une duas almas, que olha de olhos fechados, o olhar que conhece as costas, que
passa pelas palavras, que lê nas entrelinhas, o olhar que comove, que não
adultera, que não mente, o olhar da beleza e da metáfora, o olhar que descobre
o sol no caminho de uma folha caída, o olhar amadurecido e de paladar acanelado,
o olhar escuro da noite munido e perfilado de anúncios presunçosos, o olhar
inquieto da intriga, o olhar que nunca foi visto, o olhar sofista, o olhar da
arte e do domingo em descanso, o olhar nómada e fascinante, a força e a cor de
um olhar meigo e doce, a alma de um olhar que se perde num vestido curto ou num
sabor salgado de uma qualquer lágrima de saudade, que dizer do olhar, desse
olhar, do olhar em silêncio, aquele que perturba e que tudo significa,
aquele que jamais se esquece, aquele que substituí a escrita e a
fala, aquele que resume tudo e que em tudo se resume.
Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente.
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