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Os dois mundos


O laço infrangível que consegue unir os dois mundos, que torna apócrifa a fronteira entre a vida e morte, e possível o seu encontro de todos os dias. Tudo pode continuar como está, numa espécie de limbo, de reino intermédio e esbatido, tudo podia continuar assim se o amor nunca tivesse aparecido, mas ele veio e isso alterou tudo…deixou que o silêncio tomasse conta da beleza, deixou-se levar pelo indomável espirito da aventura, deixou-se contagiar pelo inexorável sorriso, deixou um brilho único, irresistível. Veio para mostrar o carácter ilusório do paraíso em que pensamos viver, veio para obrigar a escolher entre este tempo e o outro, veio para dar a conhecer, com maior lucidez, a ponte que atravessa os dois lados da existência, veio com essa força dominadora, veio para ficar, veio para não deixar desistir, veio para nos escutar, veio para nos ler, veio porque tem um nome e uma força avassaladora que só a ele conseguimos dar, veio para fazer tremer e chorar, veio simplesmente. O amor eterniza na vida a imortalidade que a morte jamais alcançará.       

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Continuar

Na descoberta de uma nova palavra somos confrontados com tantas que não conhecemos que nos apraz dizer que dentro de nós existe sempre algo desconhecido, que neste dia, alguém irá aparecer, falar e dizer qualquer coisa que por nós nunca foi ouvido, a isto chamamos crescer, aprender e respeitar atitudes e comportamentos que desconhecidos podem pronunciar a melhor razão do saber.

Desafio

Desabafo na hora da partida, escolho o tema e ilustro-o num desafio inquietante, percorro a linha e a ideia de conseguir chegar lá, subo e desço as escadas, passo por janelas e portas, umas com e outras sem, ao longe a vista deslumbra um rio que bate no mar e que faz cruzar tormentas dignas de Adamastor, não existe, eu sei, mas é um Desafio, é a escolha do caminho por escolher, aquele que existe ainda sem existir, é a criação, a procura, o prenúncio, é a descoberta da capa pela contra capa, é usar uma perna antes da outra e interiorizar uma certeza, a de que conseguimos desafiar o próprio.    

Nunca

Quero ver as janelas abertas e as portas por abrir, quero saltar o pensamento que estou a ter, quero ver a luz na madrugada e o silêncio que daí advém, os dias cinzentos são os mais belos pois tenho a certeza que depois deles a luz reinará, hoje, caminho pelo chão que jamais pisei, faço deste trajecto o meu ser, tenho o poder dominante e a intemperança de todo o mal, é mais fácil desistir, é difícil não chorar, não quero ser o primeiro mas também não quero ser o último, não quero ser as lágrimas que vês. Amanheci e vesti-me de preto com um gesto cansado e um olhar pelo deserto, não quero ser o tempo que acabou, quero ser o rosto de um velho e a sua perseverança, quero ser o infinito tocável, quero ser o espaço vazio e as sombras de que falam, quero ser mais alto que o muro para espreitar o teu mundo, quero ser as palavras proibidas, traídas, que fogem e dizem....não me deixes nunca.