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Amor

Metade, partido, assim como incompleto, como se existisse só um lado, só a cara, sem coroa, ausente que estou do meu adverso que invade o pleno de mim. Imperfeito, arredado dessa outra metade que me fascina, que já esteve e que já partiu, que tarda em voltar. Não sinto o perto nem o distante, é como um quase tudo, um quase mas. Suspenso, submerso de uma palavra, de um sinal, de um gosto, de um dia. A desassossego que vivo não se coaduna com a delonga desse sentir. Resigno-me da palavra, do olhar, de tantas outras coisas. Submeto-me ao pedido da vida, hoje e sempre, porque é sempre possível amar, mesmo se os outros não precisarem do nosso amor, porque esse amor sincero, esse amor sentido, esse amor que fala do coração é o único que é capaz de perdoar, de tolerar, de viver, de respeitar, de interiorizar e acima de tudo de prevalecer sobre todo e qualquer pensamento humano, porque é nesse amor que se deve ler o silêncio e é nesse silêncio que se deve falar de amor.

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Prometo

Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente. 

Ser

Na verdade, o verdadeiro medo está presente em cada gesto egoísta, em cada afronta, em cada pensamento individual, em cada mentira...o verdadeiro medo é consumido, é vivido e bem tratado por nós... "O homem justo não é o que não comete nenhuma injustiça, mas aquele que, podendo ser injusto, não o quer ser." (Mandro)

O labirinto do tempo

Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.