Metade,
partido, assim como incompleto, como se existisse só um lado, só a cara,
sem coroa, ausente que estou do meu adverso que invade o pleno de mim. Imperfeito,
arredado dessa outra metade que me fascina, que já esteve e que já partiu, que tarda
em voltar. Não sinto o perto nem o distante, é como um quase tudo, um quase
mas. Suspenso, submerso de uma palavra, de um sinal, de um gosto, de um dia. A
desassossego que vivo não se coaduna com a delonga desse sentir. Resigno-me da
palavra, do olhar, de tantas outras coisas. Submeto-me ao pedido da vida, hoje
e sempre, porque é sempre possível amar, mesmo se os outros não precisarem do
nosso amor, porque esse amor sincero, esse amor sentido, esse amor que fala do
coração é o único que é capaz de perdoar, de tolerar, de viver, de respeitar,
de interiorizar e acima de tudo de prevalecer sobre todo e qualquer pensamento
humano, porque é nesse amor que se deve ler o silêncio e é nesse silêncio que
se deve falar de amor.
Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.
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