Tirando o desenho de
cores escuras e contornos delicados, aparece o índice que me reabre as páginas
da vida e me faz aparecer no que leio mais à frente. Depois de me ver em plena
leitura, sou confrontado com o amigo, esse que imagino e que me faz sonhar,
esse a quem conto tudo, a quem não segredo nada, esse que me limpa a alma e me
invade o coração, esse que conhece o que de mim é desconhecido, permitindo-me saber
que o imaginário é infinito, não esqueço o preâmbulo e as partes ou capítulos
em que o livro se divide. Em mim, escrever, é sempre poder levar a quem lê
a sua própria história, escrever é tão somente criar, viver, sentir, é
considerar o outro, é ter prazer no que daqui pode ser pensado, escrever é mais
do que isso, é mais do que está a pensar, é mais do que penso, é ser, é soberano,
é ter na página a frente e o verso, é saber olhar, é permanecer numa arte que
identifica a alma como sendo minha e de mais ninguém, é como viver uma vida que
é despojada do eu, se assim não entender, escreva, escreva e diga-me o que
sente…
Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente.
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