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Palavras

Viajo sem fim à vista ou sempre do mesmo modo, viajo pelas palavras e pelos pensamentos que aqui vou lendo, a viagem é sempre a mesma, sinónimo de descoberta, de novo, de aventura, sobre o lápis vou deixando a minha marca, o escrito da minha consciência, deixo-me levar pela dobra das palavras e por aquilo que elas podem ou não significar, deixo-me levar pelas cores que me mostras e que desconhecia existir, pelos sons e pelas formas, crio os novelos,  lembro de alguns testemunhos, desdobro em palavras e invento as legendas, no diálogo que mantenho com o silêncio, vou descobrindo o comum da gramática e o já esquecido poeta da arte e do enredo, do dizer só e do só escutar, o extremo e intangível sagrado e profano, o novo dicionário e o mais antigo testamento, digo, então, o que nunca disse a ninguém, imito aquilo que ouço no meu pensamento e por mero acaso, emerge, das malhas mais profundas, esse desejo que é sonhar-te, que é gostar-te, que é amar-te, assim vão as palavras que jamais serão ditas.

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Continuar

Na descoberta de uma nova palavra somos confrontados com tantas que não conhecemos que nos apraz dizer que dentro de nós existe sempre algo desconhecido, que neste dia, alguém irá aparecer, falar e dizer qualquer coisa que por nós nunca foi ouvido, a isto chamamos crescer, aprender e respeitar atitudes e comportamentos que desconhecidos podem pronunciar a melhor razão do saber.

Desafio

Desabafo na hora da partida, escolho o tema e ilustro-o num desafio inquietante, percorro a linha e a ideia de conseguir chegar lá, subo e desço as escadas, passo por janelas e portas, umas com e outras sem, ao longe a vista deslumbra um rio que bate no mar e que faz cruzar tormentas dignas de Adamastor, não existe, eu sei, mas é um Desafio, é a escolha do caminho por escolher, aquele que existe ainda sem existir, é a criação, a procura, o prenúncio, é a descoberta da capa pela contra capa, é usar uma perna antes da outra e interiorizar uma certeza, a de que conseguimos desafiar o próprio.    

Nunca

Quero ver as janelas abertas e as portas por abrir, quero saltar o pensamento que estou a ter, quero ver a luz na madrugada e o silêncio que daí advém, os dias cinzentos são os mais belos pois tenho a certeza que depois deles a luz reinará, hoje, caminho pelo chão que jamais pisei, faço deste trajecto o meu ser, tenho o poder dominante e a intemperança de todo o mal, é mais fácil desistir, é difícil não chorar, não quero ser o primeiro mas também não quero ser o último, não quero ser as lágrimas que vês. Amanheci e vesti-me de preto com um gesto cansado e um olhar pelo deserto, não quero ser o tempo que acabou, quero ser o rosto de um velho e a sua perseverança, quero ser o infinito tocável, quero ser o espaço vazio e as sombras de que falam, quero ser mais alto que o muro para espreitar o teu mundo, quero ser as palavras proibidas, traídas, que fogem e dizem....não me deixes nunca.