Viajo sem fim à vista ou sempre do mesmo modo, viajo pelas palavras e pelos pensamentos que aqui vou lendo, a viagem é sempre a mesma, sinónimo de descoberta, de novo, de aventura, sobre o lápis vou deixando a minha marca, o escrito da minha consciência, deixo-me levar pela dobra das palavras e por aquilo que elas podem ou não significar, deixo-me levar pelas cores que me mostras e que desconhecia existir, pelos sons e pelas formas, crio os novelos, lembro de alguns testemunhos, desdobro em palavras e invento as legendas, no diálogo que mantenho com o silêncio, vou descobrindo o comum da gramática e o já esquecido poeta da arte e do enredo, do dizer só e do só escutar, o extremo e intangível sagrado e profano, o novo dicionário e o mais antigo testamento, digo, então, o que nunca disse a ninguém, imito aquilo que ouço no meu pensamento e por mero acaso, emerge, das malhas mais profundas, esse desejo que é sonhar-te, que é gostar-te, que é amar-te, assim vão as palavras que jamais serão ditas.
Na verdade, o verdadeiro medo está presente em cada gesto egoísta, em cada afronta, em cada pensamento individual, em cada mentira...o verdadeiro medo é consumido, é vivido e bem tratado por nós... "O homem justo não é o que não comete nenhuma injustiça, mas aquele que, podendo ser injusto, não o quer ser." (Mandro)
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