A saudade de ter no destino a crença de chegar a nenhum lugar, saber sem
sequer o ter sentido, senti-lo como ninguém e vivê-lo porque faz todo o
sentido, fica a tristeza triste por pensar nesta alegria que de tamanha
tristeza se veste de um fado sem destino mas de lugar marcado na essência de um
coração adormecido. Eterno e cúmplice nos teus conselhos para ser o que eu
quiser e olhar a vista de um horizonte que deixou de ser criança e adormeceu no
teu sorriso, assim vai o destino da saudade, a voz que não entoa, aquela que
canta e lamenta sem ter sequer um qualquer lamento, aquela que ouve no silêncio
uma voz que não é a minha e que canta por alguém cá dentro, a incerteza de
que nada mais certo existe para além daquela grande certeza que é não estar certo
de nada. Para onde vamos senão para o piano, para a melodia de um quarto vazio,
de sombras e espaços em branco, não te esqueças de fechar a porta, a noite
ainda demora e o teu segredo está guardado na metade de mim, esta
saudade...
Visto daqui pareces distante, tudo faz sentido e é finito quando os teus olhos pronunciam o desenho desenhando e as tuas palavras escrevem escrevendo, é o teu corpo que deslumbro, alto e legítimo, como na anunciação, fecundado no espírito, como no alfa, que vagueia no éden ou noutro jardim qualquer. É esse o teu corpo, dentro do desenho e fora das palavras ou dentro das palavras e fora do desenho, deixas-me perdido...na busca do labirinto do tempo, a viajar pelo sentido dos sentidos.
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