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Saudade

A saudade de ter no destino a crença de chegar a nenhum lugar, saber sem sequer o ter sentido, senti-lo como ninguém e vivê-lo porque faz todo o sentido, fica a tristeza triste por pensar nesta alegria que de tamanha tristeza se veste de um fado sem destino mas de lugar marcado na essência de um coração adormecido. Eterno e cúmplice nos teus conselhos para ser o que eu quiser e olhar a vista de um horizonte que deixou de ser criança e adormeceu no teu sorriso, assim vai o destino da saudade, a voz que não entoa, aquela que canta e lamenta sem ter sequer um qualquer lamento, aquela que ouve no silêncio uma voz que não é a minha e que canta por alguém cá dentro, a incerteza de que nada mais certo existe para além daquela grande certeza que é não estar certo de nada. Para onde vamos senão para o piano, para a melodia de um quarto vazio, de sombras e espaços em branco, não te esqueças de fechar a porta, a noite ainda demora e o teu segredo está guardado na metade de mim, esta saudade... 

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Continuar

Na descoberta de uma nova palavra somos confrontados com tantas que não conhecemos que nos apraz dizer que dentro de nós existe sempre algo desconhecido, que neste dia, alguém irá aparecer, falar e dizer qualquer coisa que por nós nunca foi ouvido, a isto chamamos crescer, aprender e respeitar atitudes e comportamentos que desconhecidos podem pronunciar a melhor razão do saber.

Desafio

Desabafo na hora da partida, escolho o tema e ilustro-o num desafio inquietante, percorro a linha e a ideia de conseguir chegar lá, subo e desço as escadas, passo por janelas e portas, umas com e outras sem, ao longe a vista deslumbra um rio que bate no mar e que faz cruzar tormentas dignas de Adamastor, não existe, eu sei, mas é um Desafio, é a escolha do caminho por escolher, aquele que existe ainda sem existir, é a criação, a procura, o prenúncio, é a descoberta da capa pela contra capa, é usar uma perna antes da outra e interiorizar uma certeza, a de que conseguimos desafiar o próprio.    

Nunca

Quero ver as janelas abertas e as portas por abrir, quero saltar o pensamento que estou a ter, quero ver a luz na madrugada e o silêncio que daí advém, os dias cinzentos são os mais belos pois tenho a certeza que depois deles a luz reinará, hoje, caminho pelo chão que jamais pisei, faço deste trajecto o meu ser, tenho o poder dominante e a intemperança de todo o mal, é mais fácil desistir, é difícil não chorar, não quero ser o primeiro mas também não quero ser o último, não quero ser as lágrimas que vês. Amanheci e vesti-me de preto com um gesto cansado e um olhar pelo deserto, não quero ser o tempo que acabou, quero ser o rosto de um velho e a sua perseverança, quero ser o infinito tocável, quero ser o espaço vazio e as sombras de que falam, quero ser mais alto que o muro para espreitar o teu mundo, quero ser as palavras proibidas, traídas, que fogem e dizem....não me deixes nunca.