A saudade de ter no destino a crença de chegar a nenhum lugar, saber sem
sequer o ter sentido, senti-lo como ninguém e vivê-lo porque faz todo o
sentido, fica a tristeza triste por pensar nesta alegria que de tamanha
tristeza se veste de um fado sem destino mas de lugar marcado na essência de um
coração adormecido. Eterno e cúmplice nos teus conselhos para ser o que eu
quiser e olhar a vista de um horizonte que deixou de ser criança e adormeceu no
teu sorriso, assim vai o destino da saudade, a voz que não entoa, aquela que
canta e lamenta sem ter sequer um qualquer lamento, aquela que ouve no silêncio
uma voz que não é a minha e que canta por alguém cá dentro, a incerteza de
que nada mais certo existe para além daquela grande certeza que é não estar certo
de nada. Para onde vamos senão para o piano, para a melodia de um quarto vazio,
de sombras e espaços em branco, não te esqueças de fechar a porta, a noite
ainda demora e o teu segredo está guardado na metade de mim, esta
saudade...
Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente.
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