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Diálogo


No dia em que as palavras me faltam, sou o desenho encurralado na própria deixa do papel, apoio as minhas mãos neste livro a que chamo vida e tento desfolhar uma página de cada vez, tento ler o que o silêncio me escreve e escutar as palavras deste mudo e surdo sentimento, deste diálogo inconcluso entre a leitura e a escrita, o que resulta no extremo, é um manifesto de culto pelo belo e incomparável sabor a letras. Esta é a verdade que se lê e que se ouve de palavras que emergem do corpo e do desenho, palavras que não são mais que um pedaço de segredo, do que vi no teu olhar, é tudo o que afago para este dia sem cor e parco de sentidos. Hoje careço dos teus verbos, mesmo que sejam proferidos no sossego mútuo do nosso estigma, careço desse sentido que dás só ao olhares para mim pelo canto desses olhos, de uma intensidade sem fim, premente de dias, de segundos incessantes de infinito, dessa transcendência de nós e em nós, substância na forma e no ser, na sensualidade e na consciência. Fico refém dessa sonolência que me incendeia o corpo e me condena na inocência deste esplendor inebriante.
 

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Continuar

Na descoberta de uma nova palavra somos confrontados com tantas que não conhecemos que nos apraz dizer que dentro de nós existe sempre algo desconhecido, que neste dia, alguém irá aparecer, falar e dizer qualquer coisa que por nós nunca foi ouvido, a isto chamamos crescer, aprender e respeitar atitudes e comportamentos que desconhecidos podem pronunciar a melhor razão do saber.

Desafio

Desabafo na hora da partida, escolho o tema e ilustro-o num desafio inquietante, percorro a linha e a ideia de conseguir chegar lá, subo e desço as escadas, passo por janelas e portas, umas com e outras sem, ao longe a vista deslumbra um rio que bate no mar e que faz cruzar tormentas dignas de Adamastor, não existe, eu sei, mas é um Desafio, é a escolha do caminho por escolher, aquele que existe ainda sem existir, é a criação, a procura, o prenúncio, é a descoberta da capa pela contra capa, é usar uma perna antes da outra e interiorizar uma certeza, a de que conseguimos desafiar o próprio.    

Prometo

Prometo continuar a guardar este lugar que se destina a ti, desgovernado e permissivo vai o querer, tenho saudade do que me traz por cá, por entre muros, fronteiras e descobertas vou comprando cada letra que falta do alfabeto, anos, foram precisos anos para esconder-te, e só por isso existes e estás dentro de mim, serei o que de mim fizeres porque por entre anjos e demónios sinto-te e continuarei a sentir-te, ainda que caiam os céus, por ti tudo e por ti também, e é, simplesmente, mágico, sentir e ter-te novamente.